EUA pedem cautela a cidadãos americanos na Arábia Saudita
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Os Estados Unidos impuseram hoje aos seus funcionários na Arábia Saudita uma autorização especial para se deslocarem ao aeroporto de Riade, alvo de ataques dos rebeldes Huthis, exortando ainda os cidadãos norte-americanos residentes no reino a "redobrarem a vigilância".
"A representação norte-americana está a par dos ataques contra o aeroporto internacional" na capital saudita e recordou a todos os cidadãos norte-americanos "que devem demonstrar maior vigilância", indicou o gabinete de assuntos consulares do Departamento de Estado na rede social X.
O comunicado acrescentou que "os funcionários do Governo norte-americano a trabalhar na Arábia Saudita devem, doravante, obter uma autorização especial" para se deslocarem ao aeroporto.
Os rebeldes xiitas pró-iranianos lançaram hoje uma série de novos ataques contra território saudita, visando por mais do que uma vez o aeroporto internacional de Riade, o que provocou danos graves num avião, segundo a agência de notícias France-Presse (AFP) que citava duas fontes anónimas.
Uma das fontes referiu que pelo menos três aviões tinham sido atingidos, de acordo com a AFP.
Os rebeldes iemenitas reivindicaram hoje três ataques contra o aeroporto e reiteraram os avisos às companhias aéreas para evitar o espaço aéreo saudita.
Pelo menos uma escola ficou também danificada com destroços após a interceção de um míssil.
Segundo a Defesa Civil saudita, "fragmentos de um míssil caíram em Riade após a interceção de um míssil balístico, causando danos materiais a um jardim-de-infância e a um complexo médico".
O aeroporto de Riade pediu aos passageiros que verificassem junto da sua companhia aérea se o seu voo não tinha sido cancelado antes de se dirigirem para lá, e Washington apelou aos seus cidadãos para que mantivessem uma "maior vigilância" após os ataques, proibindo os seus funcionários de se deslocarem ao aeroporto sem "autorização especial".
No local, segundo relataram as agências internacionais, os painéis informativos indicam vários adiamentos e cancelamentos. Companhias como a Air France e a Lufthansa já tinham suspendido os seus voos recentemente.
Na capital saudita, ouviram-se fortes explosões, o que levou os diplomatas a refugiarem-se no bairro diplomático e as empresas a retirarem os respetivos funcionários na zona empresarial de Riade, segundo a AFP.
As escolas internacionais também tomaram precauções, segundo relatos dos moradores, em alguns casos as crianças refugiaram-se na cave por razões de segurança.
A pressão sobre as infraestruturas aeroportuárias já se tinha intensificado nos últimos dias, com ataques a dois aeroportos sauditas, incluindo o de Riade, que causaram três mortos e dezenas de feridos.
Entretanto, os combates continuam no Iémen, com mais de 400 mortos desde o início, na segunda-feira, da operação "Amanhecer do Iémen", lançada pelas forças governamentais reconhecidas internacionalmente com o apoio de aviões de combate de Riade.
No entanto, os Huthis contestam estes avanços.
Os confrontos no sudoeste do país provocaram hoje pelo menos 83 mortos, segundo fontes militares de ambos os lados citadas pela AFP.
O objetivo é fazer recuar os Huthis, que, no final de uma ofensiva relâmpago em setembro, assumiram o controlo de todo o litoral iemenita que dá para o mar Vermelho e reforçaram o seu domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do Canal do Suez.
O recomeço das hostilidades provocou mais de 200.000 deslocados no Iémen, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que manifestou na quarta-feira preocupação com a falta de financiamento necessário para fazer face a esta nova crise humanitária no país mais pobre da Península Arábica.