cover
Tocando Agora:

"IA veio reduzir a distância entre uma startup e uma grande empresa"

...

"IA veio reduzir a distância entre uma startup e uma grande empresa" (Foto: Reprodução)

Está a ter lugar em San Francisco, nos EUA, aquele que é conhecido como um dos principais eventos tecnológicos da cidade localizada na costa oeste do país. A SF Tech Week começou no dia 5 e termina no dia 11, altura em que migrará para a cidade de Los Angeles, onde continuará até ao dia 18.

 

Algumas empresas portuguesas não quiseram perder a oportunidade de marcar presença e a RedBridge Lisbon, a Unicorn Factory Lisboa e a Startup Portugal levaram dez startups nacionais ao evento. A propósito desta iniciativa, colocámos algumas perguntas aos responsáveis pelas três instituições de forma a saber mais sobre esta missão portuguesa.

As startups que marcaram presença foram a CodePlatform, um laboratório de IA que desenvolve um modelo de linguagem e compilador próprios; a Enline, que recorre a digital twins e IA para otimizar ativos no setor energético; a ExpertGrain, que transforma informação dispersa sobre o mercado de cereais em sinais úteis para a tomada de decisão; a FRANK, um agente de IA que automatiza as operações dos corretores de seguros e que, recentemente, captou 2,9 milhões de investidores; a Lampsy, que desenvolveu um dispositivo invisível de monitorização da epilepsia; a noticed, Inc, que usa IA para potenciar relações profissionais; a Octo Health, um sistema operativo para a gestão da saúde; a Savearth, uma plataforma de inteligência comportamental para a hotelaria; a The C-MORE Company, que está a construir uma base de dados privada de risco operacional; e a VeriCasa, que automatiza processos de compliance no setor imobiliário.

Startup brasileira com operações em Lisboa vence prémio mundial de IA

Uma startup brasileira de inteligência artificial, com operações em Lisboa, venceu um prémio internacional de inteligência artificial (IA) pela sua tecnologia de utilização de dados empresariais.

Lusa | 07:35 - 02/10/2026

No que diz respeito aos fatores que levaram a estas escolhas, o diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa, Gil Azevedo, explicou estas startups têm como ponto comum o facto de estarem “preparadas para o nível de exigência do mercado norte-americano” e sublinhou que “já angariaram mais de 11 milhões de euros em investimento”.

Já a cofundadora da RedBridge Lisbon, Filipa Pinto Carvalho, acrescenta que a seleção procurou “identificar equipas com potencial de crescimento internacional e capacidade para beneficiar de uma aproximação ao ecossistema de Silicon Valley”.

“O processo foi bastante competitivo, tendo recebido cerca de 45 candidaturas de startups portuguesas de elevada qualidade, o que demonstra a maturidade e a diversidade do ecossistema nacional”, contou Filipa Pinto Carvalho. “São empresas que atuam em áreas como Inteligência Artificial, SaaS, HealthTech e Deeptech”.

A Inteligência Artificial é, claro, uma das grandes tendências dos últimos anos e, com estas dez startups a estarem dedicadas ao desenvolvimento de aplicações para a tecnologia, a seleção procurou refletir o grande investimento do momento.

Sam Altman diz que mundo deve aceitar (Foto: Reprodução)
Sam Altman diz que mundo deve aceitar (Foto: Reprodução)

Sam Altman diz que mundo deve aceitar "algumas coisas más" da IA

O líder da OpenAI, Sam Altman, reconheceu que a Inteligência Artificial poderá criar "algumas coisas más" e que, apesar disso, a tecnologia não deve ser regulada ao ponto de bloquear os benefícios que poderá apresentar.

Miguel Patinha Dias | 08:25 - 06/10/2026

“Num evento em que quase todos falam de modelos e de infraestrutura, as portuguesas levam IA aplicada a problemas concretos de setores exigentes, como a rede elétrica, a mediação de seguros ou a conformidade no imobiliário, muitas vezes já com clientes e receitas”, confirmou o diretor executivo da Startup Portugal, Miguel d’Aguiar.

Mais ainda, Gil Azevedo nota também que a Inteligência Artificial veio esbater a diferença entre o trabalho feito por uma startup e empresa de maiores dimensões. “A IA veio reduzir a distância entre uma startup e uma grande empresa: uma equipa pequena consegue hoje desenvolver produtos que, há poucos anos, exigiriam muito mais recursos. Para um país como Portugal, com talento técnico de qualidade, sobretudo nas universidades, esta é uma oportunidade enorme”, afirma o diretor executivo da Unicorn Factory Lisboa.

Apesar disso, as startups continuam a ter de lidar com desafios durante o processo de crescimento. Mesmo que as ferramentas de Inteligência Artificial lhes permitam ser mais eficientes, as startups continuam a ter como principal obstáculo o acesso ao investimento.

É isso que diz Gil Azevedo, que sublinha que os investidores “estão mais seletivos e exigentes” e que “não basta ter uma boa ideia, é preciso provar que existe um mercado disposto a pagar por ela”.

Esta é uma ideia que Filipa Pinto Carvalho repete, afirmando que “o desafio já não é apenas criar tecnologia inovadora, mas conseguir posicioná-la num mercado cada vez mais competitivo e global”.

OpenAI e Anthropic investigadas por possíveis riscos para consumidores (Foto: Reprodução)
OpenAI e Anthropic investigadas por possíveis riscos para consumidores (Foto: Reprodução)

OpenAI e Anthropic investigadas por possíveis riscos para consumidores

A Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos iniciou uma investigação sobre a OpenAI, Anthropic e outras empresas de inteligência artificial (IA) devido aos perigos que as suas tecnologias podem representar para os consumidores.

Lusa | 07:35 - 01/10/2026

“É precisamente por isso que iniciativas como esta são importantes: ajudam as startups a aproximarem-se dos ecossistemas onde estão concentrados clientes, investidores e parceiros estratégicos que podem acelerar o seu crescimento”, acrescenta a cofundadora da RedBridge Lisbon.

Miguel d'Aguiar, da Startup Portugal, faz sobressair ainda que, apesar de Portugal apresentar “sinais claros de maturidade” para um “ecossistema pequeno”, é necessário “pensar nos mercados globais desde o início”.

“O mercado interno é limitado, e é por isso que a internacionalização faz parte do ADN das nossas empresas. Junto de investidores de Silicon Valley, procuramos o posicionamento de um país com talento técnico, capacidade de engenharia, custos competitivos e empresas que já vendem fora”, conta Miguel d’Aguiar.

Sobre potenciais áreas onde as startups portuguesas podem conquistar o seu próprio espaço, o diretor executivo da Startup Portugal aponta para a engenharia portuguesa e setores regulados (energia, saúde, seguros, conformidade, etc). “O caminho passa por conquistar posições específicas, com clientes empresariais e investidores que valorizem a profundidade técnica, em vez de tentar disputar o mercado inteiro. A trajetória de vários dos nossos unicórnios, com forte presença nos Estados Unidos, mostra que é possível”, refere.

Gil Azevedo, da Unicorn Factory, adianta também que as startups têm de conquistar o seu espaço “com foco” - uma caraterística que está presente em algumas empresas da delegação que marca presença na SF Tech Week.

“O mercado norte-americano é exigente e competitivo, e a entrada tem de ser bem preparada. Mas o sucesso destas iniciativas não se mede apenas pelos dias passados em São Francisco. Mede-se pelas relações que ficam, pelo investimento que chega às empresas e pela confiança que se cria no ecossistema português”, afirma Gil Azevedo.

Leia Também: Startups portuguesas vão à SF Tech Week em busca de expansão para EUA

Fale Conosco