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"Maricarmen continua aqui" e reativa protestos pela habitação em Espanha

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"Maricarmen continua aqui" e reativa protestos pela habitação em Espanha (Foto: Reprodução)

Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi despejada da casa onde viveu mais de 70 anos no dia 23 de setembro e morreu na quarta-feira ao final da tarde num hospital de Madrid.

 

A notícia da sua morte gerou nova onda de indignação e logo na quarta-feira à noite, em Madrid, centenas de pessoas que estão acampadas desde 26 de setembro na praça Porta do Sol, no centro da capital espanhola, fizeram uma marcha de algumas centenas de metros até às imediações do parlamento nacional, onde foram chumbadas na semana passada medidas para a habitação, precipitando a queda do atual Governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, e a convocatória de eleições em Espanha para 29 de novembro.

"Não são mortes, são assassinatos", gritaram os manifestantes que marcharam até ao edifício do parlamento.

A mesma mensagem - "não é uma morte, é um assassinato" - está também desde hoje num dos cartões deixados numa espécie de altar de homenagem a Maricarmen Abascal entretanto criado na Porta do Sol, à porta da sede do governo regional de Madrid e numa das entradas para o acampamento de protesto pela habitação.

Em redor de uma fotografia de Maricarmen Abascal com a mensagem "Não se despeja uma memória", foram aumentando ao longo da manhã as velas, as flores e outros cartões de homenagem à idosa, com frases como "Obrigada pela coragem", "Maricarmen continua aqui" ou uma citação da própria: "Lutai pelo que é vosso".

"Vim deixar o meu grãozinho de areia de homenagem. Maricarmen é um símbolo desta revolução, de como tudo começou", disse à Lusa Aitana, uma estudante universitária de 26 anos, antes de deixar no altar mais uma mensagem de homenagem e uma vela.

Aitana está "acampada desde o segundo dia" na Porta de Sol e garante que os protestos vão continuar e que "a morte de Maricarmen aumentou muito mais a indignação".

"Até se ver uma mudança real não nos vamos mexer daqui", garantiu.

A passagem de pessoas pelo local de homenagem a Maricarmen Abascal na praça da Porta do Sol foi contínua desde o início da manhã, com várias a deslocarem-se propositadamente, incluindo de localidades vizinhas, fora da zona de Madrid.

Foi o caso de Maripaz, de 67 anos, que disse à Lusa que o caso de Maricarmen "dá muita pena" e "há muitas razões" para os protestos como o que está instalado na Porta do Sol há mais de duas semanas, protagonizado, sobretudo, por jovens.

"Tenho um filho em casa de 26 anos, que trabalha, mas não consegue arranjar uma casa própria com o salário que recebe", contou à Lusa, antes de sublinhar que há em Espanha "muitíssima gente" como Maricarmen, idosos que "fundos abutres" expulsam das casas onde vivem, numa referência aos fundos de investimento.

O maior protesto permanente pela habitação em Espanha é o acampamento com centenas de tendas instalado na praça Porta do Sol, no centro de Madrid.

O acampamento tem crescido e há já tendas que bloqueiam acessos ao metro e fora da praça, nas ruas Arenal e Preciados.

Centenas de tendas estão organizadas em praças e ruas, com nomes como "rua Maricarmen" ou "praça das precárias", incluindo tendas grandes que funcionam como serviços de distribuição de comida e outros ou para fazer assembleias. Nas ruas que formam as tendas há também sinais com indicações para ajudar turistas e outros transeuntes a chegar ao metro ou sair do acampamento.

Os tribunais recusaram já por duas vezes declarar ilegal ou inseguro o acampamento e ordenar a evacuação da praça, como pedem as autoridades regionais e municipais, lideradas pelo Partido Popular (PP, direita).

Já o Governo central, do Partido Socialista (PSOE), e com a tutela das forças de segurança, tem realçado que se trata de um acampamento pacífico e que está em causa o respeito pelo direito à reunião.

A associação Sindicato das Inquilinas e Inquilinos de Madrid, na origem destes protestos, convocou uma nova manifestação para hoje ao final da tarde, entre a Porta do Sol e a rua onde vivia Maricarmen Abascal.

Estão também a suceder-se convocatórias semelhantes de várias organizações para novas manifestações e concentrações hoje e na sexta-feira noutras cidades espanholas. Mantêm-se, por outro lado, acampamentos semelhantes ao de Madrid, embora de menor dimensão em cidades como Santiago de Compostela, Barcelona ou Sevilha.

Morreu Maricarmen, a idosa que gerou movimento pela habitação em Espanha

Maricarmen Abascal, a idosa de 87 anos despejada em Madrid após mais de 70 anos na mesma casa, morreu esta terça-feira no hospital. O Sindicato das Inquilinas lamentou o trágico desfecho, sublinhando que o acordo para o seu regresso "chegou tarde demais".

Márcia Guímaro Rodrigues | 19:30 - 07/10/2026

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