Mourinho lamenta saída do Benfica: "Pensava que ia ficar os três anos..."
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José Mourinho concedeu, ao início da tarde desta quinta-feira, uma extensa entrevista ao jornal desportivo italiano Corriere dello Sport, na qual, entre outros temas, falou sobre como se processou a saída do Benfica no final da última temporada e o regresso ao Real Madrid.
Nesta conversa, o treinador português confessou que, quando assinou pelo clube da Luz, o objetivo era cumprir o contrato até ao fim, admitindo ainda que não queria acreditar quando começaram a surgir os rumores de um possível regresso ao Real Madrid, que acabou mesmo por se processar.
"Normalmente, primeiro há contacto e só depois começa o ruído quando já existe algo. Aqui, foi exatamente o oposto: o ruído começou quando não havia contacto nenhum. Estava feliz no Benfica. É um clube especial para mim, a dez minutos de casa, algo que já não acontecia há vinte anos. Era um clube que precisava de uma mudança radical. Pensei que ia ficar lá durante o meu contrato de três anos", começou por dizer Mourinho.
"Foi então que começou o reboliço. Fiquei surpreendido, não dei importância, pensei que era apenas um rumor. O Real Madrid tinha mudado de treinador a meio da época e depois chegou o Arbeloa. Não se sabiam os resultados e começou o burburinho, mas ninguém me tinha dito nada. Quando começaram os rumores, pensei: 'isto não pode ser verdade'. Estava no Benfica, com a cabeça no Benfica e focado no futuro do Benfica. Nunca pensei que fosse verdade", prosseguiu o treinador do Real Madrid.
A polémica entre Gianluca Prestianni e Vinícius Júnior
Ainda nesta conversa com o jornalista italiano Ivan Zazzaroni, Mourinho foi questionado sobre o polémico episódio entre Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni, que foi acusado de racismo contra o brasileiro. O português era treinador do Benfica à data dos factos e agora orienta o canarinho no Real Madrid.
"Foi um momento muito delicado e difícil para nós, porque, no fim, o Prestianni foi desqualificado, embora não por racismo. Fui vítima da opinião pública, principalmente de muitos oportunistas, devido a uma situação completamente incontrolável. Temos um jogador que diz: 'Não é verdade'. Ninguém tem provas de que seja verdade. Não se pode tomar uma posição. Diga o que disser, a opinião pública continuaria a estar errada. O que realmente gosto no desfecho desta história é que, por um lado, havia um rapaz fantástico e, por outro, um rapaz perfeito. Foi um problema, mas, no final, acabei por conhecer os dois. Foi difícil, do ponto de vista da gestão: depois de disputar a fase preliminar, chegar a Madrid sem saber se haveria sanção, se poderia jogar ou não. Uma situação extremamente difícil", vincou José Mourinho.
A fechar a entrevista, que contou também com a AS Roma como tema, o técnico português deixou a sua opinião sobre o escândalo do Manchester City, respondendo com ironia.
"Prefiro rir-me um pouco sobre isso, porque acho que teremos um final. Teremos um final, sim. Mas nós dois, que temos à volta de 60 anos, devíamos ter a sorte de estar vivos quando sair o veredito. Porque agora chega a sentença e um ano depois o recurso...", vincou, antes de ser confrontado com as queixas que tem feito nos clubes por onde passa
"Não acho que o problema seja eu. O problema é o azar que tenho quando chego a um clube em particular. Vivi o topo da fase de Negreira aqui no Real Madrid. Ninguém sabia, mas vivemos. Aconteceu. Fui embora depois, agora toda a gente sabe. Mas estava a pensar em algo. Na Turquia, houve um grande escândalo e toda a gente soube depois de eu sair. Este tipo de situação acontece-me várias vezes", finalizou.