Rangel e Rubio: "Portugal é um dos campeões na relação transatlântica"
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A conferência de imprensa conjunta do ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel, e do secretário de estado dos EUA, Marco Rubio, esta quinta-feira, 8 de outubro, no Palácio das Necessidades, em Lisboa, ficou marcada pela aparente aproximação diplomática entre os dois países.
Paulo Rangel foi o primeiro a discursar e começou por salientar "que Portugal e os Estados Unidos são aliados históricos, partilhando valores no Estado de Direito, equilíbrio, laços cada vez mais fortes em segurança e defesa e economia”.
O governante português lembrou ainda que o brinde da independência norte-americana foi feito com "vinho da Madeira" e que "Portugal foi o terceiro país a reconhecer os Estados Unidos" como território independente.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Portugal e EUA estão "num momento de grande desenvolvimento bilateral".
"Portugal é um "parceiro estratégico na NATO [...]. É seguramente um dos campeões da prioridade nas relações transatlânticas", salientou.
"Americanos querem vir a Portugal para fazer negócio e admirar a beleza"
Entretanto, Marco Rubio toma a palavra e começar por recordar que EUA e Portugal "já concretizaram coisas juntos" e exemplifica com os caças F-16 comprados pela Força Armada Portuguesa aos norte-americanos.
"Trabalhámos para o arsenal e para reforçar segurança e defesa de Portugal", disse o governante dos EUA, aproveitando para falar da renovação dos caças portugueses. Ao lado de Paulo Rangel, sobre o tema, Marco Rubio assumiu que os dois países estão a trabalhar para renovar o "arsenal" de Portugal.
O secretário de estado dos EUA aproveitou ainda o momento para elogiar o facto de Portugal ter investido também na NATO e na Defesa. Assim, segundo afiança, a NATO "está mais forte".
Durante o discurso, o governante norte-americano reconheceu ainda a importância de geopolítica para Portugal, dando o exemplo dos "cabos submarinos, data centers e minerais críticos".
Já em feito de conclusão, antes de passar às perguntas dos jornalistas, Marco Rubio enfatizou o facto de "muitos norte-americanos virem para Portugal" para "fazer negócios e admirar a beleza".
Rangel lembra "relação antiga" com a China, Rubio diz que "não é bom para Portugal"
Questionado sobre o investimento chinês em Portugal, Marco Rubio disse apenas que "não é bom para Portugal depender apenas da China", vincando que a "diversificação" é o melhor para os investimentos portugueses.
Já Paulo Rangel sublinhou que Portugal procura o "melhor negócio" e que a relação com Pequim é "antiga". Para já, lembrou, o tema está a ser discutido na União Europeia.
Guerra na Ucrânia? EUA não quer "perder tempo com negociações inúteis"
Sobre a "guerra perigosa" que ocorre na Ucrânia há mais de 4 anos, Marco Rubio defendeu que só existem dois caminhos para terminar com ela: "negociações" ou "escalada"..
Para o secretário de estado de Donald Trump, "não há uma solução militar para esta guerra". Os EUA estão prontos para "facilitar" as negociações entre a Ucrânia e a Rússia, no entanto, avisou: A potência mundial não vai "perder tempo em negociações inúteis".
Já o MNE português "apoia os esforços" dos EUA para colocar um ponto final no conflito entre Kyiv e Moscovo e lamenta os ataques russos "devastadores" a civis ucranianos.
Rangel frisou a importância de chegar a uma "solução" negocial e a um cessar-fogo.
Compra de F-35 aos EUA? Rangel não confirma, mas sublinha que será tido em consideração "interesse nacional"
Já sobre a renovação da frota portuguesa de caças, o chefe da diplomacia portuguesa diz que não cabe apenas ao ministro dos Negócios Estrangeiros tomar uma decisão.
Paulo Rangel afiançou que a renovação dos caças F-16 terá em conta o "interesse nacional", para já, o Governo está "a olhar para a proposta dos EUA" e a inteirar-se. "Não posso adiantar mais", disse, fechando o tema.
Base das Lajes "não esteve no menu" do encontro entre Rangel e Rubio
Já sobre a utilização da base das Lajes, nos Açores, pelas forças militares dos Estados Unidos, Rubio garantiu que a mesma segue "os protocolos" e elogiou Portugal como "um grande aliado".
O norte-americano não comentou o facto de o Ministério Público (MP) ter aberto um processo sobre a utilização da Base das Lajes por parte dos EUA, mas disse que as críticas da Aministia Internacional são "uma fraude".
"Deviam preocupar-se com as milhares de pessoas que morreram a sangue frio nos protestos no Irão", atirou.
Por sua vez, Rangel revelou que o "futuro da Base das Lajes não esteve no menu" da conversa que ambos tiveram antes da conferência conjunta.
O ministro de Luís Montenegro salientou que o encontrou focou-se em "turismo, economia".